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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Futuro, Espanha e +1

Aqui em Salvador, já vamos para o terceiro dia de Cine Futuro. Nele encontrei Guiu e Ana Luiza, para ficar apenas em gente da equipe de NMVF, a quem adiantei novidades, que hoje rabisco por aqui.

Desde fim de semana passada já temos a marca da +1! Filmes entre os apoiadores. Quem traz ela para o filme é David Campbell, que, como todo mundo sabe, está com a gente desde que NMVF era só um roteiro recém-rebatizado e sem previsão de ser filmado.

Confirmamos também tradução e legendagem. Elizabeth Campbell (irmã de David), que trabalha com as duas áreas na Espanha, já recebeu filme e em breve inicia trabalhos. Um muito obrigado aos dois.


No que diz respeito a finalização, mais detalhes em próximo texto.
Cine Futuro nos espera.

Ps: Foto retirada de filmagem de ensaio, feita por Campbell. No calor de dezembro, obviamente, quem dirigia era a cerveja.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Carinho

Foto: Diego Teschi

É a hora do carinho.

Som e imagem vão ser maquiados para aparecerem bonitos, ou pelo menos tentar.

Oficialmente, processo de finalização ainda não começou, mas falta pouco.

Em breve, NMVF volta com boas novas.

Bom final de semana a todos.

Ps: Para quem não lembra ou não conhece, na imagem temos ator e atriz, Lucas Lacerda e Bruna Scavuzzi, e um pedaço de Hollywood.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um texto que não planejava nem queria escrever

Soube no domingo, já perto de meia-noite. Estava sem Internet e fui para a casa de uma tia, teoricamente, apenas para enviar arquivos de créditos e observações de finalização para Tiago Cavalcanti, que precisava deles na segunda. Para visita não ser tão rápida, entrei no Facebook. Priscilla me pediu para falar com Carol, o que fiz de bom grado, já que pela manhã (antes de Internet me deixar na mão) rolou uma agradável conversa cheia de amenidades. Agora não.

“Soube de Deng?”, me perguntou. Deng era como chamávamos Thiago Ferreira, autor da trilha sonora de NMVF, e que partiu de Salvador para Itabuna no domingo com mais três, incluindo pai e tia. A história dos quatro foi abreviada por acidente, já perto do destino, onde o carro deles encontrou a frente de um ônibus.

Seria exagerado dizer que era o melhor amigo de Deng, ou equivalente. Mas quando soube que estava em Salvador, liguei para ele e saímos na sexta, quando combinamos de sair também no sábado. Priscilla, Carol, eu e ele estávamos juntos até 2h da manhã de domingo, mas nos encontramos 18h, quando fomos pro MAM. Antes ele disse a Carol, sem lembrar que eu a conhecia, que os dois iriam com um primo dele. Nunca tinha me chamado de primo. Já no MAM, em um momento, estávamos apenas eu e ele.
- Deng, preciso ir no banheiro, man.
- Vai lá, pô.
- Você fica só aí de boa?
- Tô bem acompanhado.
Rimos, mas era verdade. Ele estava ouvindo e assistindo a músicos, a bons músicos, a uma música que ele gostava.

Antes do fim da noite, ainda tivemos direito à sua gim com tônica e à não menos tradicional conversa bacana. Deixei Priscilla em casa e, na vez de Deng, me perdi. Transformei os dez minutos que me levariam à casa dele em 20, 25. Não tenho o conforto oriental, nem a convicção religiosa que torne situação mais fácil, mas talvez não quisesse me despedir, simplesmente. Ainda não me desce a ideia de desligarem a tomada de alguém que, nove horas antes, estava rindo ao seu lado.

A sensação permanece horrível mas, pelo que conhecia de Deng, ele preferiria que ela fosse transformada em música, não descrita. Não tenho talento. Vi com ele que também não sei lidar com perda (ainda?), que para mim foi bem menor do que para mãe e irmãs, por exemplo. O que quer que deixe-as melhor, por favor.

Agora, e imagino que durante um bom tempo, é inevitável lembrar de The Spirit Carries On, de Dream Theater, que ele uma vez me disse ser “a melhor música gospel que existe”. Por Deng, torço para que ela seja algo além da coisa linda que é. E se ele mesmo prossegue seu caminho, que ele esteja em boa companhia; como estava no MAM, no meio dele, como estava com pai e tia, e como espero que tenhamos sido nesse meio.

Para quem não conhecia, perdemos um talento; para quem conhecia, um cara foda.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pré-jogo

Foto: David Campbell

Ao longo dos meses do blog de NMVF, tentei evitar posts escritos às pressas e, principalmente, antes de algo que pudesse resultar em novidade. Primeiro porque poderia me arrepender do que disse, segundo porque evitaria o trabalho de atualizar duas vezes no mesmo dia (geralmente processo é mais interessante que escrever sobre), depois porque pessimismo e superstição me adoram, ainda que não exista recíproca.

Mudamos hoje. Se tudo der certo, daqui a pouco me encontro com Gu(stavo Korontai). Se tudo der certo, finalizamos montagem. Tudo deu certo com David (Campbell) e imagens pendentes. Bora ver no que dá.

Ps: Nossa locação não é mais a mesma. Concordo com autor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mimimi

A menos que ele seja perdido, por acaso ou crueldade extremas, não volto a dar nenhuma má notícia referente ao filme. Uma coisa é a crítica, a reclamação, a revolução; outra coisa é ter síndrome de vítima. Por mais que eu, como realizador, saiba o que acontece, eu como leitor não suporto "mimimi", e acho que estou longe de ser exclusivo nesse pensamento. Para completar, nenhum leitor pode ter a convicção se o que eu digo é verdade ou choro. Em outras palavras, falemos apenas do que de bom (ou "menos ruim") existe no processo NMVF.

Após finalização de montagem com Roberto Pazos e pausa com amigo Arthur Freitas, filme veio para Salvador, onde já pousou na máquina do editor/designer/fotógrafo/bróder Gustavo Korontai. Curiosamente, aliás, NMVF rodou e rodou para estacionar, veja só, na mesma rua onde mora nosso ator, Lucas Lacerda. Enquanto der, no entanto, manteremos a farsa.

Com gravação e montagem de últimos planos, cuja pendência foi cortesia da chuva no sábado, filme completa o 1% restante e parte para finalização. Ainda assim, qualquer torcida para agilidade do processo é bem-vinda.

Ps: Hoje temos o quarto e último ‘El Clásico’, que começa às 15h45min. Especialmente se tivermos apenas competência e ousadia, e não o "mimimi" de Mourinho, promessa é de coisa fina.

domingo, 10 de abril de 2011

A música de Berlusconi

Sexta-feira, dia de gravação da trilha sonora, 7h15 da manhã. Em Itabuna, Ilhéus e Uesc, onde deveríamos estar às 8h, está tudo cinza, cortesia da chuva, que veio descontrolada. Um convite a tudo, menos a andar com instrumentos e amplificadores pela rua.

Na quarta-feira (6), a Uesc oficializou a greve dos professores, que ganhou adesão de estudantes e funcionários, justamente para a sexta-feira em questão, também chamada de anteontem. Em outras palavras, teríamos ela e apenas ela para resolver tudo da trilha sonora - e também para continuar montagem do filme, mas isto é uma outra questão.

Às 8h30 já tinha tentado falar com Deng (Thiago Ferreira) duas vezes, ambas em vão, situação que continuou até 9h, quando recebi primeira mensagem dele. Estava sem poder sair do trabalho, de onde me mandaria notícias assim que possível, o que só veio às 9h30, quando cravou: “10h tô liberado”. O porém é que, com início da greve no dia, manifestantes pararam carros na entrada da universidade, o que dava a todos a garantia de tomar, pelo menos, 100 metros de chuva; incluindo aí, obviamente, os instrumentos.

Não disse isso a Thiago, logicamente, mas liguei para a Uesc e soube que entrada já era permitida, na primeira boa notícia do dia, que logo teve uma réplica. Uma corda da guitarra que ele usaria escafedeu-se, o que o levou a trocar por guitarra antiga e, como consequência, perdemos mais alguns minutos. Como nosso horário ia até o meio-dia, teríamos, com tempo de ida para universidade e transporte de equipamento, pouco mais de uma hora para gravar, editar e mixar a música. Partimos para a Uesc, onde chegamos e vimos portão fechado, contra o que me foi dito. “O jeito é entrar pela saída”, pensamos juntos. A ré foi dada e, pimba!, beijo no pára-choque alheio. “Quando tudo parece melhorar, Murphy prova que está com saudades”, nos desesperamos juntos.

Por sorte, contudo, não apenas o barulho não afetou nenhum dos dois, como carro alheio era de ex-professora nossa (!) - que entendeu pressa.

Após período de subir com instrumentos, caixas, pedaleiras e afins, entramos no estúdio, nos aclimatamos e deixei Thiago onde ele se sente bem. A primeira nota foi gravada já depois das 11h, o que me deixou aflito, mas que foi inevitável. Às 11h45min terminamos introdução, e finalizamos primeira ideia da música como um todo às 13h, quando Thiago se aproximou da perfeição, quando preferimos ir além, por um caminho que ainda tateávamos, mas também quando Ady Lúcio pediu uma merecida pausa; afinal de contas, extrapolamos mais de uma hora de seu horário. No almoço, conhecemos um italiano (um italiano dono de restaurante no Salobrinho, WTF!) apaixonado por Frank Zappa e que parecia ter mais sotaque que Berlusconi. Tivemos que deixá-lo para gravarmos segunda parte outras vezes, muito mais do que imaginávamos, mas até momento em que realmente sentimos que não tinha mais para onde ir, no melhor dos sentidos.

Após muitas repetições e tentativas, música atingiu seu ápice sem soar mecânica. É o tipo de coisa difícil de conseguir em qualquer meio artístico, e que parece não existir definição melhor para isso que uma combinação do talento com o inexplicável. E o sacana ainda é um baita companheiro. Quando cheguei em casa, nem parecia que dia tinha começado tão ruim, nem parecia que alguém poderia chamar aquilo de trabalho.

A Uesc entrou em greve e montagem vai ter que parar? Contatos já foram feitos, é o que posso fazer até ter alguma novidade. Além, obviamente, de escutar 2min28s algumas vezes por dia.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Chá de espera e de câmera

Antes da boa nova, adianto que Roberto Pazos viajou e só voltamos a trocar ideia na terça-feira (12), o que nos leva à conclusão de que NMVF (pretendo chamar o filme assim agora), definitivamente, prefere o descanso ao estresse. Parêntese feito, a notícia bacana é que, extra-oficialmente, montagem chegou ao fim. Eu revi, Pazos reviu, e – uma vez que o filme não pode ser todo refilmado – poréns ou detalhes só podem ser corrigidos ou ajustados na finalização.

O “extra-oficialmente” entra na frase porque estamos apenas à espera da trilha sonora, que Thiago Ferreira leva ao estúdio na sexta-feira (8), e de imagens pendentes, que devem chegar até o meio do mês.

Para o primeiro caso, imagino que em dois dias (ou seja, duas manhãs das 9h30min ao meio-dia) consigamos encaixá-la com vídeo, basicamente o mesmo tempo que visualizo para montar parte à espera. Em outras palavras, penso que montagem chega ao fim em, com azar, uma semana útil – e por “semana útil” entenda não uma segunda a sexta, ou uma quarta a terça, mas cinco dias de montagem.

Antes disso, contudo, temos um imperdível (bem melhor que o chá de espera que todos do filme têm tomado) “Chá de Câmera”.

O bom de David, cujo equipamento (câmera, lentes e flash) não acertou mais o caminho de casa após ter sido deixado em táxi, é que rapaz não ficou de mimimi, costume bem comum no país (e no estado) que amo e não deixo. No próximo dia 14 (quinta-feira) rola o Campbell’s Festival, que apesar do nome talvez remeter a gente encharcada de uísque, é evento onde teremos, além do roquenrol, exposição e venda de fotografias do rapaz. Espero ir, mesmo que volte no domingo para continuar montagem de NMVF. Até porque, convenhamos, muito do que o filme tem de bom é mérito dele. Defendo todos lá.

domingo, 20 de março de 2011

Do Japão à Uesc

Desde semana passada, não falar no Japão pode levar uma pessoa a ganhar vários adjetivos bacanas, de alienada a frívola, para ficar apenas nos mais sutis. Não sei se por preguiça, limitação ou estupidez, me vejo incapaz de fazer algo além de torcer para que aquilo acabe, e não me vejo com quase nada a dizer além do que já foi dito – dentro do pouco que vi. Se por um lado não me orgulho da postura, ainda que ela venha acompanhada de outros adjetivos desagradáveis, me soa honesta.

No entanto, ainda pelo Japão, no início da semana vi um vídeo que até postei no Facebook. Em meio ao bombardeio de imagens que mostram a natureza em fúria e plasticidade que ultrapassam os maiores (em tamanho) filmes-catástrofe, a que mais me chamou a atenção foi uma sem morte, sem água, sem tremor e sem pessoas. Com uma câmera e dois seres, a cena vai contra o inevitavelmente egoísta instinto de sobrevivência, e qualquer descrição é limitadora: http://www.youtube.com/watch?v=J3TM9GL2iLI&feature=youtu.be.

Filme
Nas últimas semanas, entre telefone, internet e contato pessoal, algumas pessoas me perguntaram quando o filme fica pronto. Afinal de contas, teoricamente, lá se vão três meses de montagem.

Adoraria dizer para eles que processo tem demorado por edição à la Orson Welles ou Cassavetes, adoraria dizer que perfeccionismo vem de Kubrick. Mas, como diria o festival, é tudo mentira. Lá se vão quase 30 dias desde 25 de fevereiro, a data em que Nunca mais vou filmar foi modificado pela última vez. De desencontros ao carnaval, passando por mudança de cidade e de editor, convite e burocracia, o filme ficou parado.

Verdade que, nessa semana, temos a trilha sonora mais próxima do ideal, mas também é verdade que sequer pude remontar a sequência; ainda que desconfie, não posso comprovar que agora posso encaixá-la melhor.


Imagino que todos (isto é, as quatro pessoas que gostaram do roteiro mais as 15 da equipe) queiram ver o filme, mas não dá para brigar com o acaso – posso apenas lidar com ele.

De qualquer jeito, esclareço que este não é um post desiludido ou decepcionado pelo meio ou processo, pelo contrário. Se assim estivesse, pensamento-mor seria o de acabar a coisa a qualquer custo para fazer outra sem nada a ver, e não já iniciar outro roteiro. Ainda que, antes dele, tenhamos Nunca mais vou filmar. E, não menos importante, a paciência nossa de cada dia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Murphy e os brasileiros

Foto: Diego Teschi

De longe, mas com léguas de distância para o segundo colocado, nosso melhor amigo tem sido Murphy. Primeiro, após um tempo internado na UTI, o HD morreu. Na verdade, entre a família, é consenso a desconfiança de que ele já tenha chegado sem vida ao hospital – na falta de sinais antecipatórios, parece ter sido fulminante mesmo. Pior ainda se pensarmos que, dois dias depois, Murphy atacou o HD do desktop da casa, cujo diagnóstico foi mais certeiro: morte imediata.

O menos mal é que, no segundo caso, dados foram salvos. No primeiro, o mais importante, apenas eu me estrepei – pouca coisa do filme se perdeu.

No entanto, o que freia
Nunca mais vou filmar, além de anotações que se foram com o primeiro falecido, é a incompatibilidade de programa. Inicialmente montado na versão 7.0 do Final Cut, projeto não pôde ser aberto na Uesc, mas imagino que até amanhã tenhamos isto resolvido, para retornarmos à edição na semana que vem. Desde que, obviamente, Murphy não volte a nos visitar.

Para falar de coisa boa, acabo de receber nova trilha sonora de Thiago Ferreira. Lógico que preciso escutá-la mais vezes, reencaixá-la com imagem, e só depois ter uma opinião mais precisa. Mas, de antemão, dá para adiantar que melodia e título (que não revelo por soar
spoiler – se é que o filme tem algum) são coisa fina. Mas, assim como nossa amizade com Murphy, isso não é novidade. A vantagem é que nós somos brasileiros: desistimos, mas não sem humor.

domingo, 13 de março de 2011

Sob controle

Talvez alguém tenha se preocupado com postagem no Facebook, mas não foi intenção.

Aquilo foi uma mistura de desabafo com um discreto pedido de socorro, já que técnico acostumado aos problemas do PC em Itabuna estava incomunicável, e busca pela internet não mostrava nada agradável. Continuei sem conseguir falar com médico da família, mas asseguro que nada de vital foi perdido, se HD não tiver solução. O maior efeito colateral, pelo menos baseado no que lembro, pode ser um leve atraso pela falta de algumas importantes, mas não indispensáveis observações.

Espero, em breve, trazer novidades referentes à continuidade da montagem. De resto, boa ressaca a todos.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O inferno que vem de dentro

A pergunta remete aos tempos de Moisés, provavelmente. "Como diretor, faz seu filme para você ou para o público?"

Com uma sabedoria que também remete à Arca, em resposta a outra pergunta, Edgard Navarro resumiu melhor do que qualquer que eu tenha lido, visto ou ouvido até hoje. "Ibope nenhum salva ninguém do inferno que vem de dentro".

A entrevista, na íntegra, pode ser conferida aqui, no sempre ótimo blog de Antonio Nahud, O Falcão Maltês: http://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/02/edgard-navarro-o-indomavel-bom-moco.html

Ps: Sobre o filme, estamos no terceiro corte, que a partir de agora tende a mudar apenas detalhes. Em breve espero falar dele, que já me agrada bem mais.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tarantino, Scorsese e consequência

Foto: Diego Teschi

Terminamos ontem o terceiro dia de montagem, que na prática foi o primeiro e meio. Estamos na quarta sequência, mais ou menos a metade do filme. Até agora, o que posso dizer é que o mais chato da edição não tem sido o processo em si. Longe disso.

É fato que os primeiros dias de praticamente qualquer coisa tendem a ser mais agradáveis que os últimos. Também pesam na situação uma terça e uma quinta de pausa, assim como a ótima e barata lanchonete onde paramos para respirar. A exceção é cortesia do pastel de forno, que venderam como bacalhau e era de frango, completamente seco, para completar.

Mas, como ia dizendo, o porém não é o processo, nem tanto o pastel de forno. Temos ainda o maldito timecode, que fez quase toda a ideia de decupagem servir para nada, mas o que me incomoda mesmo é a consequência dele. Desse período de pós-produção, digo.

No meu tempo livre, e até fora dele, penso demais nas possibilidades de montagem. Agora mesmo acabo de visualizar a solução para sequência que mais tive problemas com Igor, e um possível "eureka" para outra. Mas na hora, nós dois sabemos, é bem diferente e nada é tão fácil.

Com isso, falta cabeça para se desligar e simplesmente ver um filme. Estamos no dia 15 e só vi seis em 2011. Verdade que entre eles estão o fabuloso
Viver a Vida (1962) - como eu consegui não gostar dele na primeira vez que vi? - e os ótimos Além da Vida (2010) e Estrada Perdida (1997), mas a pouca quantidade é deprimente. Pelo menos para mim, que não tenho como sobrenome Tarantino, Scorsese ou coisa do tipo, é complicado ver e produzir, assistir a e tentar filmar muitas e boas imagens ao mesmo tempo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A mensagem do Messias

Foto: David Campbell

A cena é comum. Em festivais de cinema e derivados, você vê um entusiasmado diretor a falar de seu filme como se falasse de um filho, muitas vezes como se ele fosse o único do planeta, o Messias.
Faz parte. Nos debates pós-exibição, eles (os diretores e seus pretensos Messias) são bem-vindos, pois - se temos equipe ou parte da equipe do filme - vemos aí umas das raras oportunidades em que uma discussão reúne não apenas comentaristas, mas também comentado(s).

O problema é quando, e aí entram também pré-estreias à parte, a explanação é anterior ao filme.

Mais de uma vez, já senti uma mistura de constrangimento e irritação ao ver um autor "apresentar" sua obra. Essa combinação ideal (ou seja, demoníaca) costuma vir, geralmente, quando o realizador declama uma apaixonada crítica a respeito de si mesmo, ornamentada de metáforas ou de explicações sobre o que quis dizer e fazer.

A intenção do diretor (para não dizer que é irrelevante) importa menos que o filme. Detalhá-la antes da plateia assistir ao filme soa como algo ainda mais invasivo.

No texto que publicaria ontem, falava sobre locação em tom ameno, mas fiquei com a impressão de que já poderia induzir quem lesse a querer assistir ao filme do jeito que planejei. Passada a filmagem, o que eu quero dizer devo dizer é a Igor, na ilha de edição. Quero o blog não para advogar em favor do filme, mas para tentar manter o interesse dos outros em assisti-lo, sem que, para isso, eu tenha de interpretá-lo para todo mundo.

De antemão, todavia, já adianto: ele não será o Messias. Amém.

Ps: Filme com a cabine mais cheia que já fui (éramos umas 20 pessoas), Além da Vida, de Clint Eastwood, trata de espíritos com interesse maior na vida terrena e nos seres humanos, não na catequeze. Mesmo momentos potencialmente bregas, e o final é o mais triste deles, são geralmente contornados com sobriedade e elegância. Como parêntese, a sequência do Tsunami é uma aula de direção de cena-catástrofe. Estreou ontem. Vão!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O dia

Primeiro a entrar no projeto, David me lembrou falta de memória de nós dois com relação à +1 Filmes, de quem só esperamos a logo para divulgá-la.

Ontem recebi mensagem no Orkut de Antonio Nahud Júnior, que falava em surpresa para mim no blog dele. Ao entrar, li que O Falcão Maltês era premiado, o que não é nada inesperado, pois o blog é um monumento. A surpresa veio depois.

Uma das condições do
Prêmio Dardos, a honraria recebida por Antonio, é o premiado indicar outros blogs que reconhece como fonte de conhecimento e aprendizado cultural. E os três escolhidos por Nahud foram o Tela Prateada, de Daniele Moura, o Setaro's Blog, de André Setaro, e O Homem Sem Nome, moribundo blog deste rapaz aqui.

Como se não bastasse o orgulho de ser indicado por Antonio e de estar ao lado de Setaro, o dia chegou e amanheceu lindo. Que continue assim para todo sempre, amém.

Atualização às 20h28min: A chuva apareceu, negocio um sol para amanhã e depois.

Ps1: Lucas, em nome da equipe, desejo melhoras e o melhor para você.

Ps2: Na foto, A Noite Americana (1973), de Truffaut. A nossa já começou na véspera.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Novidades de natal

Para muitos, hoje é natal. Afinal de contas, há exatos 81 anos nascia John Cassavetes. Partiu antes do ideal, mas seu ideal, como aconteceu com sua obra, seria a eternidade. Embora nunca tenha visto Sombras (1959), pelo menos Noite de Estreia (1977) - foto - e Faces (1968) deveriam ser tombados como patrimônios da humanidade.

Na mesma linha de diretor monumento que podia ter feito mais filmes, voltei a arriscar umas linhas sobre François Truffaut, a pedido do amigo Antonio Nahud Júnior. O resultado pode ser visto em O Falcão Maltês,
fenômeno recente pela jovialidade do endereço, mas esperado pela capacidade de seu responsável.

A tarefa foi complicada porque de um lado tinha um dos diretores e um dos filmes preferidos, e do outro um jornalista e escritor (além de amigo) cuja sensibilidade e trajetória fascinam. A pressão fez o texto sair após dias de indecisão. Não à toa parei, pelo menos por ora, de escrever semanalmente sobre filmes. Ainda assim, veia cinéfila tem andado com pouco tempo para cinema e discussões sobre outras coisas que não as minhas, o que não me agrada.

Mas, antes que a mesma veia se junte à minha sempre embriagada memória, friso que oficializamos montagem, com Igor Caiê Amaral, e maquiagem, com Luzmar Cunhantã. Os dois bem referenciados e com postura bacana desde primeiras sondagens. Sempre bom. Temos também um novo parceiro, mas ele merece uma postagem à parte. Em breve.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um filme de gênero

Este post não é para ser levado a sério. Digo isto, entre outros motivos, porque próximos textos tendem a ser sobre simpatizantes (coisas têm andado) e não quero tanto o mais do mesmo. Logicamente, é bom frisar, quanto mais parceiros melhor. Por outro lado, quanto maior a variedade de conteúdo do blog, mais agradável (ou menos previsível) ele tende a ficar. Divagação feita, ratifico: este post não é para ser levado a sério. Se quiser, prossiga por sua própria conta e risco.

Tudo começou com uma vírgula esquecida. No
Facebook, amigo queria perguntar se, ultimamente, eu tinha visto bons filmes ou se só estava fazendo bons filmes. Ele conhece o roteiro, embora eu não saiba se resposta positiva é por crença no material ou por hipotético medo de machucar um chegado. Seja como for, embora uma boa crítica seja sempre bem-vinda, qualquer das duas razões é bacana. Mas o assunto não é esse.

Dentro de um determinado grupo de amigos, chamamos o outro de sacana. E, na pergunta do referido, ele lançou o vocativo sem a pausa. “(…) ou só tem feito bons filmes sacana?” foi como ficou a questão. Amiga atenta desconfiou que eu estava fazendo filme pornô. Maldito sacana. Após revelação, contei a ela o argumento na íntegra do que estamos prestes a filmar.

“Nunca mais vou filmar conta a história de um homem que reencontra uma mulher. Com poucos minutos, ela tem uma crise de ciúmes e o mata. No entanto, se arrepende e, cheia de tesão, sai dando loucamente – mas loucamente mesmo. Temos sexo a dois, a três e a quatro, com vivos e com mortos. No fim, enojado, o cinegrafista diz: 'nunca mais vou filmar, baralho! nunca mais vou filmar baralho!'. Na sequência, ele solta a câmera e entra para a orgia. Sobem os créditos”.

Logo acima, Jamie Lee Curtis no maravilhoso
Halloween (1978), de John Carpenter, referência para quase todo filme do gênero. Isto é sério.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O que importa

Roger era cineasta e estava em início de relacionamento com Annette. Ao ver os dois juntos, um outro diretor perguntou a ela se participaria do próximo filme do parceiro. A resposta foi um convincente “não quero trabalhar no cinema”. Mas quem perguntava era ninguém menos que Orson Welles, cuja réplica combinou sensatez e paixão. “Um dia, você descobrirá que a vida é verdadeiramente um cinema e o que cinema é uma forma excelente de voltar para a vida”.

No sábado, graças também a auxílio de professor Israel, tivemos encontro positivo com Lucas e Bruna, com trechos de filmes, discussões em cima de roteiro e – merecemos – um pouco de diversão. No domingo, e eis aqui o porquê do texto, li o trecho acima ainda pela manhã e, com o sábado em mente, momento pouco feliz (não me pergunte o porquê) foi embora.

Embora seus filmes não sejam influência direta para Nunca mais vou filmar (se é que é possível não serem), Orson Welles costumava ter razão quando falava de cinema. E, nesse caso, me faz ter outra certeza (se desvirtuo suas palavras, peço perdão). Eu não quero sair dessa vida: a forma é a única coisa que importa.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cena do crime

Foto: David Campbell

Apalavrado outro parceiro, marcado segundo encontro com atores.


Com palavras demais e imagens de menos nos últimos textos, publico outra foto de David Campbell.

Nela, vemos o local da cena do crime. Ou, mais especificamente, do início dele.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jogadores de cinema

Após primeira reunião com atores escolhidos depois da definição dos papéis, faço uma analogia com futebol. Mais precisamente, com técnicos.

Ele já foi chamado de excessivamente dominador, mal educado, polêmico, arrogante e antipático, além de outras amenidades que não lembro ou não li. Mas ele também é um estudioso, obstinado, e louco pelo que faz. Capaz não apenas de ir bem com a melhor mão-de-obra possível, mas também de conquistar a Europa e o Mundo com um material meia-boca. Hoje no comando do Real Madrid, com só 10 anos de carreira e ainda na casa dos 40, tem um currículo inacreditável para alguém de sua idade.

O nome dele é José Mourinho. Embora eu não saiba até que ponto acredito nessas coisas, é aquariano. E também nasceu em um 26 de janeiro.

A maioria esmagadora dos jogadores com quem ele trabalhou, quando não o venera, tem um carinho especial por ele, e um dos segredos de tanto sucesso, tenho certeza, está em frase que disse antes de chegar a Madrid. “Sempre disse que meus jogadores são os melhores do mundo. Fiz isso quando estava em um clube pequeno como o Porto, quando estava no Chelsea. Agora, os melhores são os jogadores da Inter”.

A ideia é simples, pôr em prática nem tanto. O que ele consegue, e que não tem manual que explique ou ensine, é acreditar e fazer os outros acreditarem. Exatamente como os bons filmes fazem com a gente.

Poderia enumerar os porquês que me levam à convicção de que tenho um Téo e uma Sara cujos potenciais parecem só aumentar - e cada gesto, cada obra do acaso (ou seria do talento deles?), comprova ideia. Se eles ainda não perceberam isso, é meu papel convencê-los. Para isso, talvez passe a impressão de ser excessivamente dominador, arrogante e antipático. Mas é porque sei que os dois se mostram, a cada movimento, os melhores jogadores que poderia escolher para comandar.

domingo, 31 de outubro de 2010

Still (e reuniões)

Primeiro, boas novas para Nunca mais vou filmar. São mais duas, talvez três reuniões para a semana, podada por feriadão. Caso tudo ande como esperado e consigamos as respostas que queremos, mostraremos teste devidamente montado, e com momentos de brilhantismo trazido por atores.

Notícia à parte, peço licença ao curta para sugerir coisa fina aos cinéfilos. O amigo Carlos Roberto Araujo, colega dos tempos de infância e hoje em Londres, enfim transformou sua afeição pelo cinema e pela escrita em blog: http://nocantodatela.wordpress.com/.

Em conversa com ele sobre a maravilha que é
Na Cidade de Sylvia, de José Luis Guerín, falamos sobre, além da monumental Pilar López de Ayala, meu still preferido do filme. Este que ilustra a postagem. Sem nunca cansar de revê-lo, digo: isto É um still. Aprenderam?