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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entre segunda e amanhã

Foto: Lica Ornelas

Se tudo der certo, amanhã resolvemos as últimas pendências que hoje seguram a montagem de
Nunca mais vou filmar. Um áudio aqui e um plano ali se juntam em prol do filme e, espero, vamos para o início do fim.

Verdade que ele é apenas mais um início de mais um fim, como também é verdade que ainda falta a trilha sonora, mas vamos por partes. Em primeiro lugar, a finalização de áudio e vídeo exigem bem menos de minha cabeça, que agradece a pausa. E a música, que nunca foi dor de cabeça, já foi discutida o suficiente com Thiago Ferreira. Essa madrugada, inclusive, ele transformou a caixa de e-mails em um MSN, mas por uma ótima causa.

Mas e o filme, cara pálida?

Até a segunda, tínhamos um problema. (Na verdade temos vários, mas esse me chateava mais por ser uma solução transformada em problema.) Existia uma parte de um plano que me soava fabulosa, mas que, desde o início, se assumiu completamente antissocial. Não conseguia encaixar aquele trecho em canto nenhum, ele parecia fadado ao lixo, e eu à depressão. Até que Igor me veio com a sugestão de “encaixar aquele plano aqui e cortar pra lá”.

Na verdade, as aspas são figurativas, não faço ideia do que ele disse, mas ao concordar que podíamos fazer aquilo, não me segurei: “você salvou o filme”. Por mais que exista uma inevitável dose de exagero, foi o melhor momento da segunda-feira (14), o último dia que nos encontramos.

É possível que muita gente sequer faça ideia de qual plano seja, no fim das contas. Se for o caso, sinal de que funcionou.

Ps: quem me ler imediatamente após a postagem, e gostar, não se esqueça de Arsenal x Barcelona. É agora às 16h30min, hora de Salvador. Mais que o jogo, tem potencial para ser o confronto (ida e volta) do ano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Revisão

Revi hoje todo o material.

Exceção feita ao último, quando preferi o desligamento imediato, fiz a mesma coisa após cada dia de filmagem. Ainda assim, só agora percebi certos detalhes, e às vezes apenas em uma segunda visita ao mesmo take. Embora nem todos eles sejam exatamente agradáveis (e também por isso existe a montagem), alguns me deixaram com uma nada discreto sorriso.

Ontem, após pausa natalina, reencontrei Tiago em momento de produção executiva (são menos penosos do que imaginava que fossem). Durante ele, e logicamente depois, veio visualização de cartazes e discussão sobre referências, atividade que - devo admitir - faço satisfeito. Especialmente com stills que peguei hoje Diego (Teschi), o responsável pela função.

Uma semana depois de filmagem, ainda que já me programe para ter overdoses do Téo e da Sara que escolhi (ou seja, estou pronto para pesadelos com Lucas e Bruna), lembrança da equipe é bacana. Como último texto de 2011, acho justo escolher foto que reúne maior parte do time.

Ps: Não lembro autor da foto, só sei que não foi de Diego porque ele está ali, no canto direito. Em breve, com todo material obtido hoje, prometo imagens feitas pelo rapaz. Por "em breve", entenda 2011. Agradeço pela compreensão.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O último fim

Foto: Saulo Nery

Quando Ana Luiza falou em como filmagens tendem a ser sempre imprevisíveis, já passávamos meia-hora do término das gravações. Final digerido, cravei, com alguma ênfase, que tinha feito qualquer coisa, menos o filme que planejei fazer. O tom foi irônico, sem intenção de ser levado a sério, mas havia ali - mesmo que bem discreta - alguma dose de verdade. Só que isso não é necessariamente ruim.

Em meio a fatalidade, chuva e problemas com equipamento, gravamos só 20% dos planos no primeiro dia, o que resultou em cabalísticos 6,66GB. Roteiro técnico teve de ser refeito, sendo que no último dia combinamos de gravar por duas horas a mais como tentativa de compensação. As duas se transformaram em uma e, após pausa para almoço, praticamente tudo virou take de cobertura a ser decidido na hora. Nenhum plano foi gravado mais de cinco vezes, e repetição deles, quando havia, não foi ditada por análise de combinação entre som (que não ouvia), imagem (que pouco via, quando via) e atuação de elenco (que geralmente não poderia julgar àquela distância), mas sim pelo tempo, no sentido da luz e do cronômetro. O perfeccionismo, na prática, se transformou no ter que decidir entre uma boa cena, uma boa atuação, ou um filme.

Em conversa com Bruna, minutos depois de filmagem, disse que, em setembro do ano passado, quando comecei a escrever roteiro, estava no início de um relacionamento perfeito. Como tal, o futuro era idealizado pela imaginação, único lugar onde a continuidade dele existia. Passado mais de um ano, romantismo foi pragmatizado, discussões fortaleceram e desgastaram relação, marcante e próxima do caminho sem volta. Ontem acabamos, mas voltamos em janeiro, os dois sabem disso, pela última vez.

Após ela, sobem os créditos da relação, e fruto dela passa a não ser nosso. Espero que resultado me agrade, obviamente, mas também que ele agrade aqueles que acreditaram em projeto.

Agora, o filme e eu precisamos da mesma coisa: descanso e distância um do outro. Um natal bacana a todos, especialmente àqueles que deram sua contribuição para a feitura de
Nunca mais vou filmar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O dia

Primeiro a entrar no projeto, David me lembrou falta de memória de nós dois com relação à +1 Filmes, de quem só esperamos a logo para divulgá-la.

Ontem recebi mensagem no Orkut de Antonio Nahud Júnior, que falava em surpresa para mim no blog dele. Ao entrar, li que O Falcão Maltês era premiado, o que não é nada inesperado, pois o blog é um monumento. A surpresa veio depois.

Uma das condições do
Prêmio Dardos, a honraria recebida por Antonio, é o premiado indicar outros blogs que reconhece como fonte de conhecimento e aprendizado cultural. E os três escolhidos por Nahud foram o Tela Prateada, de Daniele Moura, o Setaro's Blog, de André Setaro, e O Homem Sem Nome, moribundo blog deste rapaz aqui.

Como se não bastasse o orgulho de ser indicado por Antonio e de estar ao lado de Setaro, o dia chegou e amanheceu lindo. Que continue assim para todo sempre, amém.

Atualização às 20h28min: A chuva apareceu, negocio um sol para amanhã e depois.

Ps1: Lucas, em nome da equipe, desejo melhoras e o melhor para você.

Ps2: Na foto, A Noite Americana (1973), de Truffaut. A nossa já começou na véspera.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A crença no meio

Foto: Saulo Nery

Após a última tomada de ontem, depois do “acabou” proferido a equipe, Nunca mais vou filmar avançou outro passo rumo ao fim de sua parte mais difícil? Ou o último ensaio, a apropriação do espaço pelo roteiro (ou seria o contrário?), marca apenas o início de problemas?

Tendo sempre a achar que a pior parte está por vir. Pode parecer ruim, só que é a pressão quem melhor mantém meu foco. Às vezes é cruel, porque nunca me desligo, mas prejudicada é a pessoa, não o diretor.

Não à toa posso frisar, como fiz depois da gravação, que temos material para um filme. Não apenas um filme, aliás, como um bastante semelhante ao último tratamento do roteiro.

Para completar ideia de dever cumprido, o fim de ontem foi dado após o esgotamento de ideias, e não de tempo.

Se o filme de hoje seria bom, ou se o final será, aí é uma outra questão.

Enquanto não temos essa resposta, agradeço ao Gato Xadrez e a Juliana Rosa por serem os anfitriões do bando, uma das poucas coisas em que acredito. A Ana Luiza, Bruna, Bulhões, David, Guiu, Lica, Lucas, Luzmar, Roberto, Saulo e Tiago; muito obrigado.