Mostrando postagens com marcador Trilha sonora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trilha sonora. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Desigual e forte

O texto de hoje é dedicado à Música de Berlusconi.

“Confesso que a idéia não me pareceu muito entusiasmante e que a realização é um tanto ou quanto desigual, mas seu filme tem muita força e de algum jeito me pegou. Acabei gostando bastante.”

Após uma abordagem protocolar, assim começou o e-mail de ontem de Hernani Heffner, que prosseguiu no segundo parágrafo.

“Vou enviar o convite em seguida. Espero você em Conservatória.”

Heffner é o responsável pela seleção de NMVF para seu próximo destino, Conservatória, a Cidade das Serestas, no Rio de Janeiro. O evento, que acontece de 6 a 9 de setembro e que celebra a música instrumental, é o Festival Cine Música.

La Rosa Scavuzzi, cortesia de Thiago Ferreira, é a canção que representa NMVF, todo orgulhoso dela.

A exibição é no sábado (8), às 16h, na sessão Geografias Musicais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um texto que não planejava nem queria escrever

Soube no domingo, já perto de meia-noite. Estava sem Internet e fui para a casa de uma tia, teoricamente, apenas para enviar arquivos de créditos e observações de finalização para Tiago Cavalcanti, que precisava deles na segunda. Para visita não ser tão rápida, entrei no Facebook. Priscilla me pediu para falar com Carol, o que fiz de bom grado, já que pela manhã (antes de Internet me deixar na mão) rolou uma agradável conversa cheia de amenidades. Agora não.

“Soube de Deng?”, me perguntou. Deng era como chamávamos Thiago Ferreira, autor da trilha sonora de NMVF, e que partiu de Salvador para Itabuna no domingo com mais três, incluindo pai e tia. A história dos quatro foi abreviada por acidente, já perto do destino, onde o carro deles encontrou a frente de um ônibus.

Seria exagerado dizer que era o melhor amigo de Deng, ou equivalente. Mas quando soube que estava em Salvador, liguei para ele e saímos na sexta, quando combinamos de sair também no sábado. Priscilla, Carol, eu e ele estávamos juntos até 2h da manhã de domingo, mas nos encontramos 18h, quando fomos pro MAM. Antes ele disse a Carol, sem lembrar que eu a conhecia, que os dois iriam com um primo dele. Nunca tinha me chamado de primo. Já no MAM, em um momento, estávamos apenas eu e ele.
- Deng, preciso ir no banheiro, man.
- Vai lá, pô.
- Você fica só aí de boa?
- Tô bem acompanhado.
Rimos, mas era verdade. Ele estava ouvindo e assistindo a músicos, a bons músicos, a uma música que ele gostava.

Antes do fim da noite, ainda tivemos direito à sua gim com tônica e à não menos tradicional conversa bacana. Deixei Priscilla em casa e, na vez de Deng, me perdi. Transformei os dez minutos que me levariam à casa dele em 20, 25. Não tenho o conforto oriental, nem a convicção religiosa que torne situação mais fácil, mas talvez não quisesse me despedir, simplesmente. Ainda não me desce a ideia de desligarem a tomada de alguém que, nove horas antes, estava rindo ao seu lado.

A sensação permanece horrível mas, pelo que conhecia de Deng, ele preferiria que ela fosse transformada em música, não descrita. Não tenho talento. Vi com ele que também não sei lidar com perda (ainda?), que para mim foi bem menor do que para mãe e irmãs, por exemplo. O que quer que deixe-as melhor, por favor.

Agora, e imagino que durante um bom tempo, é inevitável lembrar de The Spirit Carries On, de Dream Theater, que ele uma vez me disse ser “a melhor música gospel que existe”. Por Deng, torço para que ela seja algo além da coisa linda que é. E se ele mesmo prossegue seu caminho, que ele esteja em boa companhia; como estava no MAM, no meio dele, como estava com pai e tia, e como espero que tenhamos sido nesse meio.

Para quem não conhecia, perdemos um talento; para quem conhecia, um cara foda.

domingo, 10 de abril de 2011

A música de Berlusconi

Sexta-feira, dia de gravação da trilha sonora, 7h15 da manhã. Em Itabuna, Ilhéus e Uesc, onde deveríamos estar às 8h, está tudo cinza, cortesia da chuva, que veio descontrolada. Um convite a tudo, menos a andar com instrumentos e amplificadores pela rua.

Na quarta-feira (6), a Uesc oficializou a greve dos professores, que ganhou adesão de estudantes e funcionários, justamente para a sexta-feira em questão, também chamada de anteontem. Em outras palavras, teríamos ela e apenas ela para resolver tudo da trilha sonora - e também para continuar montagem do filme, mas isto é uma outra questão.

Às 8h30 já tinha tentado falar com Deng (Thiago Ferreira) duas vezes, ambas em vão, situação que continuou até 9h, quando recebi primeira mensagem dele. Estava sem poder sair do trabalho, de onde me mandaria notícias assim que possível, o que só veio às 9h30, quando cravou: “10h tô liberado”. O porém é que, com início da greve no dia, manifestantes pararam carros na entrada da universidade, o que dava a todos a garantia de tomar, pelo menos, 100 metros de chuva; incluindo aí, obviamente, os instrumentos.

Não disse isso a Thiago, logicamente, mas liguei para a Uesc e soube que entrada já era permitida, na primeira boa notícia do dia, que logo teve uma réplica. Uma corda da guitarra que ele usaria escafedeu-se, o que o levou a trocar por guitarra antiga e, como consequência, perdemos mais alguns minutos. Como nosso horário ia até o meio-dia, teríamos, com tempo de ida para universidade e transporte de equipamento, pouco mais de uma hora para gravar, editar e mixar a música. Partimos para a Uesc, onde chegamos e vimos portão fechado, contra o que me foi dito. “O jeito é entrar pela saída”, pensamos juntos. A ré foi dada e, pimba!, beijo no pára-choque alheio. “Quando tudo parece melhorar, Murphy prova que está com saudades”, nos desesperamos juntos.

Por sorte, contudo, não apenas o barulho não afetou nenhum dos dois, como carro alheio era de ex-professora nossa (!) - que entendeu pressa.

Após período de subir com instrumentos, caixas, pedaleiras e afins, entramos no estúdio, nos aclimatamos e deixei Thiago onde ele se sente bem. A primeira nota foi gravada já depois das 11h, o que me deixou aflito, mas que foi inevitável. Às 11h45min terminamos introdução, e finalizamos primeira ideia da música como um todo às 13h, quando Thiago se aproximou da perfeição, quando preferimos ir além, por um caminho que ainda tateávamos, mas também quando Ady Lúcio pediu uma merecida pausa; afinal de contas, extrapolamos mais de uma hora de seu horário. No almoço, conhecemos um italiano (um italiano dono de restaurante no Salobrinho, WTF!) apaixonado por Frank Zappa e que parecia ter mais sotaque que Berlusconi. Tivemos que deixá-lo para gravarmos segunda parte outras vezes, muito mais do que imaginávamos, mas até momento em que realmente sentimos que não tinha mais para onde ir, no melhor dos sentidos.

Após muitas repetições e tentativas, música atingiu seu ápice sem soar mecânica. É o tipo de coisa difícil de conseguir em qualquer meio artístico, e que parece não existir definição melhor para isso que uma combinação do talento com o inexplicável. E o sacana ainda é um baita companheiro. Quando cheguei em casa, nem parecia que dia tinha começado tão ruim, nem parecia que alguém poderia chamar aquilo de trabalho.

A Uesc entrou em greve e montagem vai ter que parar? Contatos já foram feitos, é o que posso fazer até ter alguma novidade. Além, obviamente, de escutar 2min28s algumas vezes por dia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Murphy e os brasileiros

Foto: Diego Teschi

De longe, mas com léguas de distância para o segundo colocado, nosso melhor amigo tem sido Murphy. Primeiro, após um tempo internado na UTI, o HD morreu. Na verdade, entre a família, é consenso a desconfiança de que ele já tenha chegado sem vida ao hospital – na falta de sinais antecipatórios, parece ter sido fulminante mesmo. Pior ainda se pensarmos que, dois dias depois, Murphy atacou o HD do desktop da casa, cujo diagnóstico foi mais certeiro: morte imediata.

O menos mal é que, no segundo caso, dados foram salvos. No primeiro, o mais importante, apenas eu me estrepei – pouca coisa do filme se perdeu.

No entanto, o que freia
Nunca mais vou filmar, além de anotações que se foram com o primeiro falecido, é a incompatibilidade de programa. Inicialmente montado na versão 7.0 do Final Cut, projeto não pôde ser aberto na Uesc, mas imagino que até amanhã tenhamos isto resolvido, para retornarmos à edição na semana que vem. Desde que, obviamente, Murphy não volte a nos visitar.

Para falar de coisa boa, acabo de receber nova trilha sonora de Thiago Ferreira. Lógico que preciso escutá-la mais vezes, reencaixá-la com imagem, e só depois ter uma opinião mais precisa. Mas, de antemão, dá para adiantar que melodia e título (que não revelo por soar
spoiler – se é que o filme tem algum) são coisa fina. Mas, assim como nossa amizade com Murphy, isso não é novidade. A vantagem é que nós somos brasileiros: desistimos, mas não sem humor.

sábado, 5 de março de 2011

De mudança

Enfim consegui falar com Roberto e suas férias. Desconfiava que seu não retorno sobre o filme significava que ou ele tinha detestado o que viu, ou tinha assistido e esquecido de falar sobre. Fosse como fosse, continuo sem ver muita diferença entre fazer algo ruim e outro facilmente esquecível. Mas, como disse, matei a dúvida.

Ele veio com ressalvas, espero que entre outros motivos porque versão recebida foi a primeira, aquela coisa medonha que me deprime só pela lembrança. No entanto, uma das coisas que o agradou foi a sequência que mais o preocupava. “Gostei da maneira como montou ela”, disse, antes de ouvir uma resposta que talvez ele não esperava. “Mudei ela quase toda”.

Fomos um pouco além na conversa, mas logo mudamos para o futebol, até por combinarmos de assistir ao último corte (temporário) juntos. Embora mais de 700 quilômetros nos separassem na quinta, hoje distância caiu para 200 e pouco, e no final da semana que vem estaremos os dois em Itabuna. Final de montagem, assim como gravação da trilha sonora definitiva, acontecem entre ela e a vizinha Ilhéus. Prefiro não adiantar nada sobre processo, também porque é carnaval e texto já está longo demais.

Um descanso, ou algo que se passe por ele, é bem-vindo a muita gente, incluindo aí o filme. Boa folia a todos, inclusive aos que não são dela.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entre segunda e amanhã

Foto: Lica Ornelas

Se tudo der certo, amanhã resolvemos as últimas pendências que hoje seguram a montagem de
Nunca mais vou filmar. Um áudio aqui e um plano ali se juntam em prol do filme e, espero, vamos para o início do fim.

Verdade que ele é apenas mais um início de mais um fim, como também é verdade que ainda falta a trilha sonora, mas vamos por partes. Em primeiro lugar, a finalização de áudio e vídeo exigem bem menos de minha cabeça, que agradece a pausa. E a música, que nunca foi dor de cabeça, já foi discutida o suficiente com Thiago Ferreira. Essa madrugada, inclusive, ele transformou a caixa de e-mails em um MSN, mas por uma ótima causa.

Mas e o filme, cara pálida?

Até a segunda, tínhamos um problema. (Na verdade temos vários, mas esse me chateava mais por ser uma solução transformada em problema.) Existia uma parte de um plano que me soava fabulosa, mas que, desde o início, se assumiu completamente antissocial. Não conseguia encaixar aquele trecho em canto nenhum, ele parecia fadado ao lixo, e eu à depressão. Até que Igor me veio com a sugestão de “encaixar aquele plano aqui e cortar pra lá”.

Na verdade, as aspas são figurativas, não faço ideia do que ele disse, mas ao concordar que podíamos fazer aquilo, não me segurei: “você salvou o filme”. Por mais que exista uma inevitável dose de exagero, foi o melhor momento da segunda-feira (14), o último dia que nos encontramos.

É possível que muita gente sequer faça ideia de qual plano seja, no fim das contas. Se for o caso, sinal de que funcionou.

Ps: quem me ler imediatamente após a postagem, e gostar, não se esqueça de Arsenal x Barcelona. É agora às 16h30min, hora de Salvador. Mais que o jogo, tem potencial para ser o confronto (ida e volta) do ano.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reciclagem (ou o retorno dos que não foram)

Foto: Diego Teschi

Ontem saí bem mais satisfeito, curiosamente, graças também ao que já tinha desistido. Aliás, toda a edição de ontem foi atípica. Vivi um dia de Igor, que pegou o meu papel. Ele vinha com ideias, para ele sempre possíveis, enquanto eu citava o cigarro, a cerveja, a mão, o calango, enfim, tudo que pudesse resultar em problema de continuidade. Fiquei obsessivo com o encaixe e a suavização, ele com as atuações e o enquadramento. Foi ótimo para o filme, e tornou o processo mais leve, divertido até. Só tive certeza que nós dois continuávamos nós dois, e não o outro, na primeira pausa para o café. Se ele continuava com a eterna e insaciável saudade da cafeína (já tenho vícios demais, obrigado), aquilo provavelmente não passava de uma ilusão.

Curioso também como, após a desistência de minha ideia inicial, eu volto a ela, o que me parece bom. Sinto que processo está menos "manipulador" (não peçam detalhes, por favor), ou pelo menos me passa essa impressão, que é o que importa. Prova disso é que, como disse acima, passei a usar um plano que já estava com a passagem comprada para o lixo.

Existia um trecho do roteiro que, se por um lado me soava como um dos que inicialmente mais me agradava, por outro "não bateu". Dos ensaios até o segundo dia de gravação, não me convencia, e foi uma das poucas coisas enfatizadas por Roberto como um problema (o rapaz é educado). Só tínhamos mais uma dia, e provavelmente mais dois planos daquela sequência, mas conversei com Bruna e disse para ela mudar o raciocínio e a ordem, trocar introdução com conclusão, e improvisar do jeito dela.

O porém é que, no primeiro take após isso, não sei se ela esqueceu ou se Lucas não deixou, mas fato é que, embora tenham mantido parte do texto que para mim não funcionava mais, os dois reagiram maravilhosamente. Eles fizeram o que fazem os melhores atores: pegam um texto que, a princípio não funciona, e tornam bom. Para completar o lado positivo, é um dos momentos em que David melhor aproveita a luz e a câmera.

Não dá para dizer que temos um segundo corte, até porque parte da penúltima sequência tem erro grotesco, que eu e Igor, ao reeditá-la às pressas, deixamos passar. Seja como for, essa versão já está nas mãos de Thiago Ferreira. Por vários motivos, entre eles tempo, preferi mandar para ele um link onde possa baixar o filme em baixa resolução. Um arquivo que em Full HD deve ter vários GB, foi resumido a 96MB. Mas, como já conhece o roteiro, e como encaixe de esboço de trilha já ficou perfeito sem ele ter visto nada das filmagens, imagino que seja suficiente.

Hoje é dia de Iemanjá, de Rio Vermelho - ainda que seja de textos também. Amanhã eu e Igor voltamos à ativa.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O primeiro corte (ou a vaga lembrança...)

Foto: Diego Teschi

A noite do aniversário e o início da madrugada seguinte foram preenchidas na ilha de edição, mas por uma boa causa. Desde 1h da manhã de hoje, quando saí da casa de Igor, temos um primeiro corte. Ou melhor, como prefiro chamá-lo, a vaga lembrança do que pode remeter a um esboço de um curta-metragem que ainda precisa de cuidados.

Ele está com 15 minutos, sem créditos iniciais e finais, o que significa que ficaremos próximos, mas não além dos 20. Mas, agora vem o que importa, como ficou o filme visto?

Sem tratamento de aúdio, sem tratamento de vídeo, sem rever a penúltima sequência após modificações, e sem rever a última sequência depois de montada, tem-se algo cuja base já é definitiva. E essa base, ponderados os poréns, pelo que acabei de ver pela primeira vez, tem salvação. Hoje, no entanto, principalmente devido à ainda forte lembrança dessa visita ao material, vou de trilha sonora.

Embora ela não seja definitiva, a ideia se encaixou maravilhosamente bem. E o efeito prolongado da música de Thiago (Ferreira, não o Tiago, Cavalcanti), ainda sem nome, parece o de boa parte das músicas de Thin Lizzy comigo. Falo de Thin Lizzy porque voltei a ouvi-los recentemente, mas imagino que eles possam ser substituídos por outra banda no caso específico de cada um.

No início, embora tenha percebido algo muito bem acabado, simplesmente não bateu. Veio aquela sensação de "dá para ver que é bom, mas eu não gosto". Uma hora depois (que pode ser uma semana para alguns), todavia, já achei resultado mais forte. Agora me vejo cantarolando empolgado.

Por mais que a música não seja essa, o caminho é. Depois que ele ver a vaga lembrança do que pode remeter a um esboço de um curta-metragem que ainda precisa de cuidados, garanto que áudio e imagem ganham e muito. Assim como garanto conteúdo no próximo texto.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Trilha sonora e mudanças

Os últimos textos estão uma esculhambação, pensei comigo mesmo. Quando falo em sequência quatro, cinco, meia, sete e oito, só quem tem como imaginar ou deduzir (coisas que funcionam em alguns bons filmes prontos, vale dizer), é quem foi para a gravação. Nem quem conhece o roteiro tem como identificar porque, mesmo na última versão, ele não tinha divisão por cenas. E embora eu não escreva pensando em público específico, nem tampouco queira abraçar o mundo inteiro, não pretendo transformar isso aqui em um confessionário aborrecido. Dito isto, vamos para as novidades.

Um dos motivos que me deixou com tempo e disposição para postar hoje foi a não montagem. Por motivo de força maior (detesto quando usam o termo, mas não posso ser mais específico), eu e Igor não pudemos nos encontrar. De qualquer jeito, tudo certo para amanhã, e sem boa notícia não ficamos.

Hoje, quando menos esperava, recebi de Thiago Ferreira mensagem de que ele tinha esboços para trilha sonora. Tinha pensado em apenas uma música para o fim, mas ele veio com duas ideias, uma para abertura e outra para o término.

Para tentar facilitar a vida dele, para ter uma base concreta e poder viajar loucamente, enviei oito imagens “printadas” de como visualizava a decupagem da parte final do filme. O que ele fez tem muito do que falamos, muito dele, e já ajuda um bocado para termos uma ideia de ritmo nesse primeiro corte. Lógico que existem outras considerações, mas que preciso e prefiro fazer pessoalmente (ou seja, via telefone) e após digerir mais a música.

Com relação à ideia para abertura, tenho que admitir que, quando penso que não tem mais para onde ir, ele me surpreende. Uma obra-prima, do início ao fim. Para ser mais específico, 1min57s de perfeição, com o mais inimaginável caráter experimental. São quase dois minutos do mais límpido, do mais irretocável silêncio. Digno dos melhores estúdios.

Sacanagem à parte, só o fato de reouvir e relembrar da música enquanto escrevo já me anima. Mesmo quando revoluciona a revolução, esse sacana é dos bons.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Além da música

O ano era 2008, finalzinho de maio. Tinha pouco mais de uma semana para entregar Do Goleiro ao Ponta-esquerda (2008), projeto de conclusão de curso. Estava próximo do corte final, mas a música da abertura tinha dois problemas. E duas avaliações possíveis: sim ou não.

“Tivemos as dicussões por efeitos na pedaleira, o que resultou em som que queremos e buscamos. Depois de sete faixas de guitarra gravadas, só uma palhetada ‘falhou’. Dá para ver a ideia de linkar notas com caracteres. O fato de termos mais nomes do que notas não nos impede de ler as informações, que é o que importa. Para completar, o tempo é curto”, é uma.

“Não podemos, depois de tanto investimento em músicas, filmes, encontros e tempo, fazer algo que sabemos onde pode ser melhorado. Mesmo depois de gravar sete faixas, podemos não apenas regravar a palhetada, como estender a abertura. Com isso, corrigimos um erro, harmonizamos o encaixe, e o resultado fica mais fluido. Vamos gravar de novo?!”, é outra.

Era o meu primeiro trabalho como diretor, era o seu primeiro trabalho em trilha sonora. Mas, além de uma certa combinação entre intimidade e afinidade musical, quando percebi que concordávamos no “vamos gravar de novo?!”, vi prazer, vi alma; tive a certeza de que queria voltar a trabalhar com aquele rapaz.

O porém é que, com a ida de
O Maldito Ladrão de Memórias (2009) a Cannes, o aumento em progressão geométrica da quantidade de trilhas sonoras por semestre, e a proximidade de sua formatura, o tempo do rapaz diminuiu. Quando conversamos pessoalmente, em outubro, ele não podia confirmar. Ao fazer convite oficial, com datas previstas, me preparei para o “não”. Felizmente, “ele” não veio.

Hoje, oficializo a parceria com esse monstro dos instrumentos de corda, com esse monstro da criação com instrumentos de corda: Thiago Ferreira.
"Welcome aboard, Denny".